O Meu Filho Faz Birras Constantes e Agora?
As birras são um desafio comum para pais e educadores, mas também uma etapa natural do desenvolvimento infantil. Ao compreender a sua origem e aplicar estratégias adequadas, é possível transformar momentos de frustração em oportunidades de aprendizagem e crescimento.
Neste artigo iremos abordar os seguintes pontos:
- Birras: como lidar?
- Como evitar as birras?
- Quando procurar ajuda?
Lidar com as birras dos mais pequenos é, muitas vezes, incómodo ou frustrante, no entanto, a forma como os pais o fazem tem um grande impacto no desenvolvimento dos seus filhos.
O comportamento da criança é condicionado por uma grande variedade de fatores como a etapa de desenvolvimento em que se encontra, o seu temperamento, as reações habituais dos pais ou até mesmo alguma fase particular que esteja a passar em contexto familiar ou escolar.
Não existe uma fórmula milagrosa para lidar com birras e resolver estas questões comportamentais, e nem sempre é simples. O importante é saber que todas as crianças são diferentes e as suas circunstâncias também.
Para que possa ter mais facilidade em navegar as águas, por vezes, tempestuosas das birras, criamos este artigo para o auxiliar. Nele, explicaremos o que são as birras e por que é que acontecem, abordaremos as diferenças que existem em diferentes idades e daremos algumas dicas sobre como lidar com elas.
Seja qualquer for a causa que está por atrás das birras frequentes, na Vaz Nobre Clínica podemos ajudar! Fale connosco através do Whatsapp ou do preenchimento do formulário, para que, em conjunto com pais e educadores, consigamos ajudar a criança a regular as suas emoções e a comunicar melhor as suas necessidades.
Por Que É Que As Birras Acontecem?
As birras são manifestações que levam a criança a chorar, gritar, atirar objetos, dar pontapés, espernear, atirar-se para o chão ou demonstrar outros comportamentos agressivos, como resposta às suas emoções e frustrações.
Elas são mais comuns a partir dos 18 meses de idade, atingindo um pico entre os dois e quatro anos. Isto coincide com a altura em que a criança está a adquirir a sua autonomia mas que possui ainda uma capacidade limitada de exprimir as suas necessidades e sentimentos.
Embora a birra seja uma parte natural do desenvolvimento das crianças, ela causa sempre alguma ansiedade aos pais, principalmente pelo facto de exigir respostas diferentes e adequadas às mais diversas situações e contextos.
Por vezes a criança não consegue comunicar o que sente e, nesse caso, a terapia da fala poderá ser uma ajuda preciosa. Ou talvez a criança não consiga comunicar por alterações sensoriais ou falta de estímulos, e aí um terapeuta ocupacional poderá ajudar a desenvolver estratégias para apaziguar estas manifestações. Ou ainda, por muito que uma crianças consiga utilizar as suas palavras para dizer o que quer ou o que precisa, isso não significa que ela consiga lidar com as suas emoções. Estas inundam os mais pequenos nos momentos de birra, deixando-os com sentimentos de insegurança e, por vezes, medo. Um psicólogo infantil pode ajudar na gestão destas emoções difíceis.
Nestes momentos, mais do que nunca, as crianças precisam do apoio dos pais ou educadores para conseguirem expressar as suas necessidades!
Birras: Como Lidar?
A forma como lida com as birras dos seus filhos pode determinar a forma como estas progridem. Se lhes der demasiada atenção, podem tornar-se mais frequentes. Por outro lado, se responder com raiva ou frustração, o mais provável é que estas continuem a escalar em intensidade.
Existem algumas técnicas que pode utilizar para lidar com as birras dos seus filhos, adaptando-as às diferentes circunstâncias. Elas incluem:
- Oferecer alternativas. Nalgumas circunstâncias, ao invés de impor a sua solução, dar uma opção de escolha à criança, ou seja, dar-lhe a sensação de que tem algum controlo. Esta pode ser uma boa forma de retirar o foco dos seus sentimentos, mitigando o comportamento explosivo;
- Dar atenção e mostrar empatia. Durante uma birra emocional, dar atenção à criança e demonstrar empatia é essencial. Faça contacto visual, fale de forma tranquila e fique do lado do seu filho. Mostre que entende as suas frustrações e que está ali para o ajudar a encontrar uma solução;
- Manter a calma. Por vezes é difícil o próprio adulto regular-se, mas é importante que o consiga para passar tranquilidade e que a própria criança se consiga também regular. É importante o adulto conhecer os seus próprios gatilhos para atuar, afastando-se da situação se existir outro adulto que possa assumir essa situação ou estar mais atento.
- Dar espaço. Ralhar, bater ou punir podem aumentar a birra e a sensação de falta de controlo da criança e por isso é, muitas vezes, preferível acalmar e desviar a atenção do foco que levou ao início da birra. Só quando a criança já está regulada emocionalmente é que terá a capacidade de pensar e, possivelmente, mudar esse comportamento no futuro;
- Estabelecer limites claros. É fundamental que as crianças compreendam que certos comportamentos não são aceitáveis e que existem sempre formas alternativas para que se possam expressar. A quebra destes limites deve resultar na aplicação consistente de consequências apropriadas, e proporcionais e relacionadas à situação;
- Comunicar. Grande parte das birras ocorrem porque as crianças não possuem ainda uma boa capacidade para expressarem o que sentem. Comunique com tranquilidade com o seu filho, incentivando-o a usar as suas palavras para descrever o que sente e ensine-o a pedir ajuda quando necessário;
- Evitar negociações. É importante que não ceda aos pedidos dos seus filhos durante uma birra, pois eles entenderão que a birra é a melhor forma de obter o que querem/precisam. Posteriormente, depois da criança se acalmar, pode oferecer possíveis soluções para a situação em questão.

O Que Fazer em Cada Idade?
Crianças de idades diferentes fazem birras com caraterísticas diferentes e os seus motivos também mudam. Exploramos aqui as principais particularidades das birras ao longo de diferentes intervalos de idade.
Até aos Seis Meses
Por esta altura, o bebé não sabe ainda falar pelo que comunica através do choro e gritos. É apenas desta forma que consegue expressar dor, fome, frustração ou qualquer outro tipo de necessidade que possa ter.
O grau de agressividade da birra do bebé pode estar relacionado com a falta de estimulação e possíveis dificuldades na relação entre os pais e o bebé.
O mais importante nesta altura é transmitir segurança e proporcionar conforto e amabilidade ao bebé. Tente estimulá-lo através das mais diversas interações, como o conversar olhos nos olhos, ouvir música, entre outros.
Até Um Ano
Aqui, para além do choro e gritos, as crianças também podem começar a morder, a pontapear ou a empurrar, dirigindo estes comportamentos tanto a pessoas como a objetos. A criança não consegue ainda compreender o outro, ou seja, vive centrada em si e esta é a forma dela demonstrar a sua frustração.
Nesta fase, é importante começar a estabelecer limites de forma calma e amável mas firme. Ao demonstrar desaprovação e manter a disciplina constante, sempre de forma tranquila, o comportamento deverá corrigir-se. Quanto mais liberdade a criança tiver para enraizar os comportamentos indesejados, mais complicado será alterá-los.
Dois e Três Anos
Por volta dos dois anos, as crianças ainda são egocêntricas. Elas adquirem uma certa independência que as permite explorar um mundo altamente estimulante e que as enche de desejos e vontades que ainda não conseguem interpretar. Por isso, dificilmente aceitam um “não” e tentam conseguir tudo o que querem junto dos pais.
Aqui, as birras são uma forma de agarrar a atenção dos pais, ou porque querem um doce ou um determinado brinquedo, mas também podem surgir por sentimentos de frustração. Nesta altura, a criança ainda não consegue reconhecer e regular as suas emoções e temperamentos.
A fase conhecida como os “terríveis dois anos” podem começar por volta dos 18 meses e durar até a criança ter 4 anos. Todas as crianças passam por ela, geralmente, com diferentes intensidades, dependendo da forma como os pais lidam com as suas birras e como educam os filhos, mas também do próprio comportamento e tolerância das crianças.
A parte boa das birras é que elas são um sinal de que o seu filho está a crescer. Ao longo do desenvolvimento infantil, a criança vai descobrindo que tem vontade própria, elaborando a sua individualidade e sentido uma maior necessidade de fazer escolhas e tomar decisões (que nem sempre estão alinhadas com as dos pais).
A partir dos quatro e cinco anos, à medida que a criança vai evoluindo e aperfeiçoando a sua capacidade de comunicação, o número de birras, normalmente, vai diminuindo.
Como Evitar as Birras?
Evitar todas as birras do seu filho vai ser impossível. No entanto, existem medidas que pode tomar antecipadamente para diminuir a sua duração e os seus efeitos.
Primeiro, os pais devem deixar de parte quaisquer expectativas irrealistas sobre o comportamento dos filhos nestas idades. As birras são normais e são uma parte importante do desenvolvimento. Em vez de tentar procurar culpados, devem estar atentos e tentar reconhecer, regular e alterar o comportamento da criança. Aproveite todas as oportunidades que tiver para assinalar os bons comportamentos do seu filho, mesmo aqueles que possam parecer insignificantes. Ao reforçar positivamente os comportamentos desejados, está a contribuir para que eles se repitam naturalmente.
Outro aspeto muito importante que ajuda a evitar as birras implica ter um ambiente familiar minimamente estruturado e com rotinas. O facto de a criança conhecer os limites e saber aquilo que é esperado do seu comportamento facilita a aprendizagem de regras sociais. Tudo isto ao mesmo tempo que recebe carinho e compreensão para que consiga desenvolver um sentimento de segurança.

Para além disto, outras atitudes que o podem ajudar a evitar as birras do seu filho incluem:
- Cumprir horários. É importante conhecer o bioritmo da criança e estabelecer horas de refeições e sono adequados e regulares. Ambientes previsíveis com rotinas estabelecidas promovem a segurança emocional de que a criança precisa para lidar com quaisquer imprevistos.
- Ser “O Adulto”. As crianças não têm de tomar decisões importantes nem dizer aos pais o que fazer, pelo que é importante que a hierarquia natural e os papéis de cada um estejam bem claros.
- Dar o exemplo. É a observar os adultos mais próximos que as crianças aprendem, por isso é necessário que você demonstre ao seu filho que sabe lidar com as suas próprias emoções de forma saudável.
- Decidir as regras. Defina regras de acordo com os valores da família mas que também se adequem à personalidade do seu filho. Ao envolver a criança nesta tarefa, pode também estar a motivá-la a ser cumpridora.
- Ser firme no “não”. Reserve o seu “não” mais firme para as coisas verdadeiramente importantes e seja consistente na medida em que os aplica.
- Promover a autoregulação. Ao ensinar o seu filho a identificar sinais de frustração ou raiva e a promover formas de lidar com eles, está a ajudá-lo a melhorar a sua capacidade de controlar as suas emoções e comportamentos. Esta gestão pode incluir técnicas de respiração profunda, contar até dez ou o redirecionamento para outras atividades.
- Incentivar a expressão emocional. Demonstre ao seu filho que é seguro expressar as suas emoções consigo. Ao validar os seus sentimentos permite que ele aprenda a comunica-los de forma cada vez mais clara. Por outro lado, crianças que são constantemente proibidas de chorar dificilmente aprendem a controlar as suas emoções.
- Encorajar a autonomia. Permita que o seu filho faça escolhas adequadas à sua idade. Esta independência permite que as crianças desenvolvam não só autoconfiança, mas também autocontrolo.
Quando Procurar Ajuda?
Os pais devem considerar procurar ajuda quando repararem nalguns sinais de alerta, tais como:
- As birras controlam a dinâmica familiar;
- A criança demonstra agressividade excessiva, batendo no adulto ou magoando-se a si própria (a criança arranha-se, morde-se, bate com a cabeça na parede ou puxa os cabelos);
- A criança destrói objetos propositadamente;
- As birras tornam-se incontroláveis, aumentando de duração, frequência e intensidade;
- Os pais não conseguem gerir o comportamento da criança, o que os leva a reagir com agressividade.
Esta falta de controlo demonstra que a criança está em sofrimento por não conseguir comunicar ou lidar com os seus sentimentos e frustrações. Nesta altura é importante os pais procurarem a ajuda para poderem ultrapassar estas situações.
Na Vaz Nobre contamos com vários especialistas no desenvolvimento infantil, tal como psicólogos, terapeutas da fala e terapeutas ocupacionais que, depois de apurada a causa destes comportamentos excessivos, podem ajudar a criança e a família a lidar com as situações descritas e outras.
Como Evitar e Lidar Com Birras: Pontos Essenciais a Reter
Lidar com as birras exige paciência, empatia e preparação. Ao reconhecer que este comportamento faz parte do desenvolvimento infantil e não é mera teimosia, os pais e educadores conseguem agir com mais calma e compreensão.
Criar um ambiente seguro, ensinar a criança a identificar e a gerir as próprias emoções e oferecer apoio consistente são passos essenciais para reduzir estes momentos desafiantes.
Mais do que evitar as birras, o objetivo é transformar cada uma delas numa oportunidade de aprendizagem e crescimento — para a criança e para quem a acompanha.
Ficou Com Dúvidas? Esclareça-as Connosco!
Caso tenha alguma dúvida sobre este tema, não hesite em contactar-nos! Temos uma equipa de especialistas em desenvolvimento infantil pronta a ajudar. Em conjunto com pais e educadores, vamos desenvolver a melhor abordagem para ultrapassar as dificuldades dos seus mais pequenos.
