Respiração Oral em Crianças: Causas, Consequências e o Papel da Terapia da Fala

by | Abr 14, 2026 | Terapia da Fala

A respiração oral é um hábito mais comum do que imaginamos nas crianças e pode causar alterações na fala e inclusive levar a dificuldades ao nível da atenção, memória e aprendizagem. O terapeuta da fala é fundamental para identificar precocemente estes casos, orientar a família e trabalhar a função da respiração, minimizando os impactos no desenvolvimento infantil.

Neste artigo iremos abordar os seguintes pontos:

  • O que causa a respiração pela boca
  • Quais são os principais sinais da Respiração Oral
  • Quais os impactos da Respiração Oral
  • Como pode a Terapia da Fala ajudar
  •  

    O Que Causa a Respiração Pela Boca?

     

    A respiração nasal, padrão de respiração ideal, permite o aquecimento, filtração e humedecimento do ar antes deste chegar aos pulmões. Quando ocorre alguma complicação que dificulte a passagem de ar pelo nariz, a respiração passa a fazer-se pela boca.

    A criança pode respirar pela boca devido a uma obstrução estrutural (ex.: amígdalas e adenóides hipetrofiadas, desvio do septo nasal, pólipos nasais) ou por causas não estruturais, ou seja, apesar de não haver nenhuma alteração nas estruturas, apresentam uma respiração inadequada (ex.:uso de chupeta ou biberão prolongados, sucção digital prolongada, edemas transitórios da mucosa nasal).

    Considera-se que a respiração é predominantemente oral quando este tipo de respiração prevalece durante, pelo menos, seis meses, tanto em esforço como em repouso.
     

    Quais São os Principais Sinais da Respiração Oral?

     

    A respiração pela boca pode ser identificada através de diversos sinais. Se suspeita que este é o caso da sua criança, deve estar atento a características como:

    • Lábios constantemente entreabertos;
    • Sono agitado (roncos, grande movimentação do corpo, transpiração excessiva, despertares noturnos);
    • Presença de baba na almofada;
    • Ar cansado;
    • Olheiras;
    • Narinas estreitas;
    • Mastigar de boca aberta;
    • Dificuldade em produzir alguns sons;
    • Bruxismo diurno e/ou noturno (ranger dos dentes).

     

Criança cansada
 

Quais os Impactos da Respiração Oral?

 

Respirar pela boca pode impactar a criança aos mais diversos níveis. O ar que chega aos pulmões sem passar pelo nariz não é filtrado, o que pode aumentar o risco de surgimento de doenças respiratórias.

Para além disso, para que o ar possa circular pela boca durante a respiração, a posição de repouso da língua altera, ficando mais baixa. Este tipo de adaptação pode provocar desequilíbrios nos músculos e estruturas faciais da criança, comprometendo o seu normal crescimento.

Os ouvidos e o nariz estão ligados e a limpeza dos canais auditivos dá-se aquando da passagem de ar pelo nariz. Uma criança com respiração oral tem um risco aumentado de obstrução dos canais auditivos, por acumulação de cera. Isto pode levar a perdas de audição temporárias ou permanentes e otites recorrentes.

A respiração pela boca afeta, muitas vezes, a qualidade de sono da criança, fazendo com que esta se sinta cansada, sonolenta e menos ativa. Isto conduz, muitas vezes, a alterações no seu desenvolvimento e dificuldades de aprendizagem na escola.

Esta falta de descanso pode também trazer alterações comportamentais e emocionais. As crianças com respiração oral mostram-se inquietas, ansiosas, impacientes, irritáveis, menos tolerantes e mais facilmente frustradas. Em conjunto com a terapia da fala, para crianças que apresentem estes sintomas de forma muito acentuada, pode ser importante conjugar as sessões com apoio psicológico. Saiba mais sobre as consultas de psicologia na Vaz Nobre, aqui.

São também bastante visíveis alterações faciais estéticas nestas crianças. Elas apresentam uma face mais alongada com falta de força, olheiras, narinas estreitas e lábios constantemente entreabertos, muitas vezes gretados.

A respiração oral pode também provocar problemas nutricionais que surgem pela dificuldade na trituração dos alimentos. Crianças que respiram pela boca podem não mastigar eficazmente ao associarem esse processo a sensações de sufoco/ desconforto. Elas tendem a ter uma maior seletividade alimentar, perdendo, muitas vezes, a vontade de comer.

Estratégias de Intervenção na Respiração Oral – Como pode a Terapia da Fala Ajudar?

Terapeuta da fala Lénia Ferreira com criança e encarregado de educação em consulta de terapia da fala

 

Uma das principais estratégias usadas para mitigar os problemas causados pela respiração oral em crianças é a terapia miofuncional. Esta terapia consiste na adequação da respiração nasal, através de exercícios que promovam a permeabilidade nasal, a força e o equilíbrio dos músculos orofaciais e o controlo motor oral.

Um aspeto muito importante desta terapia é o envolvimento dos pais, que são orientados de forma a poderem aplicar as mais diversas técnicas em casa. Através de exercícios simples, mas eficazes, é possível manter a criança motivada e divertida durante o processo.

Para além da terapia miofuncional existem certas práticas que podem prevenir o aparecimento de alguns dos problemas associados à respiração oral. Algumas delas incluem evitar o uso prolongado de chupeta ou biberão e promover lavagens nasais diárias com uma unidose de soro (apenas para humedecer e limpar o nariz).

As alterações causadas pela respiração oral nem sempre desaparecem sozinhas, por isso é muito importante identificar o problema o mais cedo possível. Quanto mais cedo for feito o acompanhamento, maiores são as hipóteses de sucesso no tratamento.

A terapia da fala pode ter um papel essencial na promoção de uma melhor qualidade de vida das crianças com respiração oral.

Em que situações faz sentido procurar um terapeuta da fala? Saiba mais neste artigo.

Respiração Oral em Crianças: Pontos Essenciais a Reter

A respiração nasal é essencial para a saúde e o desenvolvimento harmonioso da criança. Quando substituída pela respiração oral, podem surgir várias alterações que afetam não só o rosto e a boca, mas também o sono, a fala, a postura e até a capacidade de aprendizagem.

Nem todas as crianças respiradoras orais terão todas estas consequências, mas a atenção e vigilância dos pais faz toda a diferença.

Ao notar sinais de respiração oral, o ideal é procurar ajuda o quanto antes. Um acompanhamento precoce, feito por uma equipa multidisciplinar — que pode incluir médico, dentista, terapeuta da fala e outros profissionais — aumenta significativamente as hipóteses de sucesso no tratamento e no bem-estar da criança.

Estar atento é o primeiro passo para cuidar melhor.

Ficou Com Dúvidas? Esclareça-as Com um dos Nossos Terapeutas da Fala

Na Vaz Nobre Clínica estamos preparados para auxiliar todas as crianças que apresentem distúrbios associados à respiração oral, nomeadamente, através de uma avaliação e intervenção criteriosas, personalizadas e detalhadas, com articulação constante entre os Terapeutas da Fala, o Otorrinolaringolista e os Pediatras da equipa. Sempre que necessário, as crianças são encaminhadas para outros profissionais, como o Dentista.

Tire as suas dúvidas ou agende uma consulta na nossa clínica de Odivelas ou na nossa clínica de Belas, através do formulário ou do WhatsApp.

 

Perguntas Frequentes Relacionadas com Respiração Oral

 

É normal o meu bebé dormir de boca aberta?

Dormir ocasionalmente de boca aberta pode acontecer, por exemplo quando o bebé está constipado ou com o nariz temporariamente entupido. No entanto, se o seu bebé dorme quase sempre de boca aberta, com os lábios entreabertos e a língua mais para baixo, pode ser um sinal de respiração oral habitual e merece ser avaliado por um profissional de saúde.

A partir de que idade é preocupante ver o bebé a respirar pela boca?

Nos primeiros meses de vida, os bebés devem respirar sobretudo pelo nariz. Se notar que, após uma constipação ou alergia, o seu bebé continua sistematicamente a respirar pela boca durante várias semanas, vale a pena falar com o pediatra. Em crianças mais crescidas, quando a respiração pela boca se mantém durante o dia e durante o sono por vários meses, é importante investigar a causa.

O meu bebé de um mês dorme de boca aberta, devo preocupar-me?

Num bebé tão pequeno, qualquer dificuldade respiratória deve ser observada com
atenção. Se o seu bebé de um mês dorme de boca aberta de forma constante, faz esforço para respirar, tem ruídos estranhos ao respirar ou parece cansado e irritável, deve contactar o pediatra ou recorrer a cuidados médicos. Só uma avaliação presencial pode dizer se se trata de algo transitório ou de um problema que precisa de intervenção.

Como posso saber se o meu bebé está a respirar bem?

Um bebé que respira bem geralmente tem:

– respiração silenciosa e regular;
– nariz desentope o suficiente para respirar com a boca fechada;
– cor normal da pele e lábios;
– sono relativamente tranquilo, sem esforço excessivo.

Se notar retrações no peito ou pescoço ao respirar, ruídos intensos, pausas longas na respiração, coloração azulada ou muita dificuldade para mamar e respirar ao mesmo tempo, deve procurar ajuda médica de imediato.

Dormir de boca aberta pode significar que a criança tem apneia do sono?

Muitas crianças que dormem de boca aberta não têm apneia do sono, mas podem ter outros problemas como obstrução nasal, alergias, aumento das amígdalas/adenoides ou hábitos orais que alteram a respiração. A apneia do sono envolve pausas respiratórias repetidas durante o sono e deve ser avaliada pelo pediatra ou por um otorrinolaringologista.

Como posso saber se o meu filho pode ter apneia do sono?

Alguns sinais que podem levantar suspeita incluem:

– ressonar alto quase todas as noites;
– pausas na respiração durante o sono (parece que “para de respirar” por
segundos);
– sono muito agitado, com transpiração excessiva;
– sonolência diurna, irritabilidade, dificuldade de atenção na escola.

Estes sinais não confirmam apneia do sono, mas justificam uma avaliação médica. Só exames específicos podem fazer o diagnóstico.