Terapia da Fala para Crianças: Como Funciona & Quando Procurar um Especialista

by | Mai 14, 2025 | Terapia da Fala

Muitas crianças enfrentam dificuldades na comunicação, podendo afetar a forma como compreendem o mundo que as rodeia, como se expressam, como adquirem e desenvolvem a leitura e a escrita. A terapia da fala pode ser um aliado crucial para ajudar a superar essas barreiras. Mas o que exatamente envolve este processo e de que forma pode este beneficiar o seu filho?

Neste artigo iremos abordar os seguintes pontos:

  • O que é a terapia da fala;
  • Quais as principais áreas de intervenção da terapia da fala;
  • Como funciona a terapia da fala;
  • Quando procurar a ajuda de um terapeuta da fala.

O Que É a Terapia da Fala?

Terapeuta da fala Lénia Ferreira com criança e encarregado de educação em consulta de terapia da fala

A terapia da fala é o serviço de saúde dedicado à prevenção, avaliação e tratamento de perturbações da comunicação. Para algumas crianças, ela é fundamental para desenvolver as capacidades de compreensão e expressão da linguagem oral e escrita, a fala, a utilização de formas de comunicação não-verbal e, até mesmo, a alimentação.

Quais as Principais Áreas de Intervenção da Terapia da Fala?

Linguagem

 

Há sinais de alerta que requerem uma imediata observação por parte do terapeuta da fala, por isso, é importante estar atento a comportamentos, tais como:

  • A criança parece não compreender bem o que lhe dizem;
  • Tem dificuldade em juntar palavras para formar frases;
  • Tem dificuldade em aprender palavras novas;
  • Isola-se e prefere brincar sozinho;
  • Não domina ou utiliza as regras de conversação e interação.

Se notar algum destes sinais, é boa ideia procurar a ajuda de um terapeuta da fala. Quanto mais cedo a criança tiver apoio, mais fácil será ultrapassar os desafios e ganhar confiança na sua comunicação.

Fala (Articulação)

 

Falar bem envolve muito mais do que só dizer palavras. É preciso que a língua, os lábios, os dentes e a mandíbula trabalhem em conjunto para que os sons da fala saiam de forma clara.

Algumas crianças têm mais dificuldade em dizer certos sons ou em falar com fluidez, o que pode tornar mais difícil serem compreendidas pelos outros, o que pode afetar a sua confiança e comunicação no dia a dia. Alguns sinais a que os pais podem estar atentos incluem:

  • A fala da criança é difícil de entender ou soa “presa” ou com esforço;
  • Troca ou não consegue dizer sons como o “s” ou o “z” (às vezes chamado de “sopinha de massa”);
  • Repete sílabas, faz pausas ou bloqueia quando tenta falar — como se “travasse” a meio da frase.

Algumas destas dificuldades são normais numa fase inicial do desenvolvimento, mas mas se persistirem e tiver dúvidas sobre o que aquilo que é esperado para a idade da criança, o terapeuta da fala poderá ajudá-lo. Após uma avaliação detalhada, e se a intervenção for necessária, o terapeuta da fala poderá ajudar a criança a falar com mais clareza, confiança e facilidade — e isso faz toda a diferença nas suas relações, na escola e na forma como se sente.

Alimentação

 

A terapia da fala não serve apenas para ajudar as crianças a falar melhor — também pode ser essencial quando existem dificuldades a comer ou engolir.

Algumas crianças (e até bebés) têm dificuldade em mastigar ou engolir corretamente. Isto pode acontecer por vários motivos, como problemas de desenvolvimento, refluxo, alterações neurológicas ou condições como fenda palatina ou freio da língua curto..

Quando estas dificuldades não são acompanhadas, podem mesmo tornar-se perigosas — por exemplo, se o alimento for engolido “pelo caminho errado” e for parar aos pulmões.

O terapeuta da fala avalia como a boca, a garganta e outros músculos envolvidos na alimentação estão a funcionar, e ajuda a encontrar formas mais seguras e eficazes de a criança se alimentar. Este tipo de apoio é muitas vezes feito em equipa, com outros profissionais de saúde, como o nutricionista, e o terapeuta ocupacional, para garantir que a criança está a crescer de forma saudável e feliz.

Se notar que o seu filho tem dificuldade em engolir, se engasga com frequência ou evita certos alimentos, é importante procurar um profissional.

Voz

 

A voz é uma ferramenta muito importante para as crianças comunicarem com os outros — seja a brincar, na escola ou em casa. Quando algo não está bem com a voz, a criança pode ficar rouca, sentir desconforto ao falar ou até evitar comunicar.

Se a voz do seu filho estiver frequentemente rouca, fraca ou diferente do habitual, e essa situação arrastar-se por mais de 15 dias, é importante procurar ajuda. Estes problemas podem afetar a forma como a criança participa na escola, se expressa e até como se sente.

O terapeuta da fala pode ajudar a melhorar a qualidade da voz, ensinar técnicas de respiração e falar sem esforço, e prevenir que os problemas voltem a acontecer.

 

Como Funciona a Terapia da Fala?

 

Terapeuta da fala Lénia Ferreira com criança e encarregado de educação em consulta de terapia da fala

 

O trabalho do terapeuta da fala envolve mais do que interveniência ao nível da fala, em si. Ele é, no fundo, responsável por ajudar a sua criança a comunicar.

No caso dos mais novos, o terapeuta vai além do trabalho realizado diretamente com a criança, proporcionando orientação e estratégias frequentes aos pais, cuidadores e outros familiares, para que possam dar continuidade ao apoio ao desenvolvimento da criança, tanto em casa quanto no ambiente escolar.

É importante reforçar que o terapeuta da fala trabalha em equipa sempre que possível, trocando informações, estratégias, dúvidas com vários profissionais de saúde, incluindo. psicólogos, professores, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, pediatras, nutricionistas, pedopsiquiatras e outros. Sempre com o objetivo de ver a criança como um todo, promovendo constantemente o seu desenvolvimento de forma abrangente.

Assim que os objetivos propostos no plano de intervenção sejam atingidos e todas as questões e preocupações iniciais forem ultrapassadas, a intervenção do terapeuta da fala termina. Esta decisão de alta terapêutica requer muita atenção e reflexão, nunca sendo tomada de ânimo leve.

Não existe um timing específico para determinar a conclusão do trabalho do terapeuta da fala. O tempo necessário de sessões de terapia da fala variam muito consoante a patologia diagnosticada; as dificuldades apresentadas; e a colaboração da família e de todos os intervenientes, tais como outros especialistas, professores e educadores no desenvolvimento da criança.

Quando Devemos Procurar Terapia da Fala?

 

Terapeuta da fala Lénia Ferreira com criança e encarregado de educação em consulta de terapia da fala.

O terapeuta da fala atua ao nível de todas as faixas etárias, desde os recém-nascidos até aos mais idosos. É recomendado procurar terapia da fala o mais cedo possível, no caso das crianças, isso pode ser feito mesmo antes delas começarem a falar. No momento da escolha desse profissional, é importante garantir que o mesmo tem cédula profissional na área.

Quanto mais precoce a intervenção do terapeuta da fala, maior as chances de sucesso na prevenção de problemas que possam comprometer um desenvolvimento e aprendizagem saudáveis.

No caso das crianças, pais e educadores devem estar atentos ao desenvolvimento motor, cognitivo e linguístico para que possam identificar potenciais sinais de alerta, desvios e alterações de relacionadas com comunicação, uso da linguagem, articulação, fluência, voz, audição, motricidade orofacial, sucção, mastigação e deglutição.

Sinais que podem indicar a necessidade de terapia da fala:

Crianças

  • Dos 0 aos 6 meses. Se a criança não reage a sons, não sorri e nao estabelece contacto visual;
  • Dos 6 aos 12 meses. Se a criança não emite sons e sílabas (como “mamama” ou “bababa”), não reage ao seu nome, não reage a sons familiares e não aponta nem reproduz outros gestos como o acenar;
  • Dos 12 aos 18 meses. Se a criança não brincar, não produzir monossílabos, não reagir à pessoa que fala e brinca com ele e não imitar gestos simples, como adeus e palmas;
  • Dos 18 aos 24 meses. Se não compreender instruções simples, não disser palavras simples e apresentar um vocabulário reduzido, que consista em apenas cerca de 4 a 6 palavras;
  • Dos 2 aos 3 anos. Se não questionar, tiver dificuldade em imitar gestos simples, recorrer mais a gestos dos que a palavras para comunicar e possuir um vocabulário reduzido, não conseguindo construir frases com duas ou mais palavras;
  • Dos 3 aos 4 anos. Se a criança tiver um discurso que não é percetível pela maioria dos adultos, ou seja, não produz frases simples, utiliza palavras como “isto” e “coisa” em vez de descrever corretamente aquilo a que se refere e tem dificuldade em compreender/executar ordens simples a não ser que sejam ditas muito lentamente e acompanhadas de pistas visuais;
  • Dos 4 aos 5 anos. Se mantiver um discurso pouco percetível, apresentar dificuldade ou gaguejar ao dizer ou repetir uma palavra, tiver dificuldade em contar uma história ou descrever um acontecimento simples e em responder a questões relacionadas com “ontem” ou “amanhã”;
  • Dos 5 aos 6 anos. Se mantiver alterações na articulação das palavras, apresentar um discurso incoerente, desorganizado e com frases mal estruturadas, tiver dificuldade em explorar tópicos de conversa com princípio, meio e fim, e não conseguir discriminar sons da fala de modo a identificar as diferenças entre palavras como “bota” e “mota”.

Adolescentes

  • Ter dificuldade em pronunciar certos sons;
  • Gaguejar;
  • Não conseguir expressar pensamentos e necessidades com clareza;
  • Possuir uma fraca capacidade para responder a perguntas;
  • Apresentar dificulade em contar uma história ou explicar um acontecimento de forma sequencial que faça sentido;
  • Ter dificuldade em manter contacto visual;
  • Não ser capaz de seguir com facilidade as regras sociais numa conversa com outros;
  • Ser incapaz de usar linguagem corporal apropriada;
  • Ter dificuldade em participar numa conversa, mantendo-se no tópico e fazendo/ respondendo a perguntas;
  • Ser incapaz de compreender sarcasmo ou linguagem figurativa.

Quanto mais cedo a criança iniciar as sessões de terapia da fala, maiores as chances de se obterem bons resultados. No entanto, isso não significa que iniciar a terapia numa idade mais tardia, como na adolescência, não traga sucesso. O processo pode apenas ser mais lento pois envolverá uma desaprendizagem de padrões adquiridos.

Terapia da Fala para Crianças: Pontos Essenciais a Reter

A terapia da fala é uma ferramenta essencial para ajudar as crianças que enfrentam dificuldades com a fala, linguagem, compreensão ou até mesmo com a deglutição, pois vai ajudá-las a superar desafios que impactam a comunicação e a interação social, e assim a desenvolverem independência, confiança e claro, uma melhor qualidade de vida.

Embora não haja um limite de idade para iniciar a terapia, é sempre recomendável buscar ajuda o quanto antes, especialmente durante a fase pré-escolar e escolar, quando as crianças estão em fase de desenvolvimento crucial para a aprendizagem e integração social.

Ficou Com Dúvidas? Esclareça-as Com um dos Nossos Terapeutas da Fala

Na Vaz Nobre Clínica estamos preparados para auxiliar com as mais variadas perturbações ao nível da fala, atuando em várias vertentes de especialização e tratamento –  comunicação, linguagem oral, fala, escrita e leitura; implementação de sistemas de comunicação aumentativa e alternativa; terapia miofuncional orofacial; avaliação e tratamento de perturbação do processamento auditivo central.

Estamos disponíveis para responder a qualquer dúvida, avaliar e dar uma segunda opinião, ou mesmo encaminhá-lo para a especilidade certa – caso a terapia da fala não consiga dar resposta à necessidade da criança. Contacte-nos através dos links abaixo.